top of page

Controle Patrimonial na Hotelaria: de obrigação contábil a ferramenta estratégica de gestão

Controle Patrimonial na Hotelaria

Durante muito tempo, o controle patrimonial foi tratado na hotelaria como uma exigência contábil, necessária, mas distante da estratégia. A necessidade percebida ainda vem da operação, mais como medida de controle contra perdas do que como valoração patrimonial.

Na prática, porém, ele é um dos instrumentos mais poderosos para apoiar decisões de investimento, sustentar auditorias e elevar o nível de maturidade da gestão.


🤔Quanto vale efetivamente seu hotel? Qual o valor real do seu patrimônio?

Para gerentes de hotel e controllers, entender e aplicar corretamente o levantamento patrimonial significa sair do modo reativo e assumir o controle real dos ativos que sustentam tanto a experiência do hóspede quanto o próprio resultado do negócio.


O que é o controle patrimonial e gestão de ativos e por que ela importa tanto nos hotéis?

A gestão de ativos em hotéis envolve a supervisão estratégica, a manutenção e a otimização de todos os bens físicos e intangíveis da propriedade.

Estamos falando de móveis, equipamentos, veículos, enxoval, louças, utensílios, tecnologia, infraestrutura, além de ativos intangíveis softwares, marca e reputação.

Uma gestão eficaz busca maximizar o valor, avida útil e o retorno sobre o investimento de cada ativo.

Quando isso não acontece, o impacto aparece rapidamente: aumentam seus custos de manutenção, compras desnecessárias são realizadas, as perdas não são identificadas, as falhas operacionais começam a se repetir e os riscos fiscais aumentam.

Ignorar o controle patrimonial não é apenas um descuido administrativo, é um risco estratégico.


Levantamento patrimonial: muito além do inventário

O levantamento patrimonial é um procedimento técnico que identifica, quantifica e qualifica todos os bens de uma organização por meio de um cadastro físico e documentado.

Inclui ativos tangíveis (equipamentos, mobiliário, veículos, enxoval, louças) e intangíveis (softwares, marcas, licenças).

Na hotelaria, esse processo envolve vistoria minuciosa dos bens, registrando:

  • características físicas

  • estado de conservação

  • localização

  • funcionalidade

  • valor contábil, de mercado ou de reposição.

Mais do que uma planilha, o inventário patrimonial é a representação fiel dos ativos da empresa e deve ser utilizado como instrumento de gestão, controle e prestação de contas.



Principais categorias de ativos físicos em hotéis

  • FF&E (Furniture, Fixtures & Equipment): camas, colchões, mesas, cadeiras, armários, TVs, luminárias.

  • OS&E (Operating Supplies & Equipment): enxoval, amenities, utensílios de cozinha, louças, talheres, copos e taças, equipamentos operacionais.

  • Infraestrutura e tecnologia: HVAC, gerador, equipamentos de piscina, de fitness, sistemas hidráulicos, redes Wi‑Fi, fechaduras eletrônicas, segurança, CFTV.

  • Itens de valor e comodidades: obras de arte, veículos, eletrônicos especiais, equipamentos diferenciados nas UHs.

Cada uma dessas categorias exige critérios claros de controle, vida útil e manutenção.


Por que o levantamento patrimonial é indispensável?

Porque um levantamento bem estruturado permite:

  • conformidade contábil e fiscal (por exemplo, com a CPC 27)

  • controle da depreciação e da vida útil

  • identificação de obsolescência

  • planejamento de reposições e CAPEX (você tem previsto F.R.A. no seu orçamento?)

  • mensuração de perdas, furtos e desvios

  • suporte a auditorias, seguros, fusões e aquisições.

Sem controle, o hotel perde capacidade de planejar investimentos, corre riscos fiscais (como depreciar bens inexistentes) e negocia seu valor de mercado com informações frágeis.


Depreciação, valor e tomada de decisão

Aqui existe um ponto crítico e frequentemente negligenciado na hotelaria: a diferença entre a vida útil fiscal e a vida útil percebida pelo cliente.

Do ponto de vista contábil, um ativo é depreciado ao longo de um prazo definido por normas fiscais e contábeis.

Já do ponto de vista do hóspede, a percepção de valor segue outra lógica: atualização tecnológica, design, conforto e aderência às expectativas do mercado.

Um exemplo simples e bastante comum: uma TV de 42 polegadas adquirida há apenas um ano pode estar, do ponto de vista fiscal, em perfeito estado, longe do fim da sua vida útil e ainda com valor contábil relevante. No entanto, para o cliente, especialmente em hotéis urbanos, corporativos ou de padrão médio-alto, esse equipamento pode já ser percebido como pequeno ou defasado frente às expectativas atuais, que incluem telas maiores, sistemas smart integrados e conectividade imediata.

O resultado é um descompasso entre o valor contábil do ativo, a experiência percebida pelo hóspede e a competitividade do produto hoteleiro.


Quando essa diferença não é gerida, o hotel corre dois riscos simultâneos:

  • operacional, ao impactar a satisfação do cliente e a avaliação do serviço e

  • estratégico, ao postergar investimentos necessários por estar excessivamente orientado apenas pelo prazo fiscal de depreciação.


Boas práticas de controle patrimonial ajudam então a mitigar esse problema, ao:

  • permitir análises paralelas de vida útil contábil e vida útil operacional

  • apoiar decisões de substituição antecipada com base em estratégia de posicionamento no mercado

  • ajudar a responder, de forma prática, perguntas como: vale a pena manter este ativo por mais tempo ou investir agora? o impacto na satisfação do hóspede justifica o desembolso? esse investimento reforça ou enfraquece o posicionamento do hotel frente aos meus concorrentes?

Ou seja, controle patrimonial não serve apenas para cumprir normas, ele oferece a base para decisões conscientes sobre quando manter, atualizar ou substituir um ativo, mesmo que ele ainda esteja longe do fim da sua vida útil fiscal.


Controle patrimonial e resultado: onde estão as perdas invisíveis

Na prática, hotéis sem controle patrimonial estruturado enfrentam situações que são recorrentes:

  • bens esquecidos em depósitos até se tornarem obsoletos (bens mantidos por apego ou esquecidos há anos e que, aos poucos, se transformam em verdadeiros “museus da operação”; já não têm valor prático, de uso ou revenda mas seguem guardados por receio de descarte, total apego emocional, inércia ou pura falta de controle)

  • compras duplicadas por falta de visibilidade

  • perdas anuais não detectadas (em inventários, é comum identificar cerca de 1% de desaparecimento ao ano)

  • seguros contratados abaixo do valor real

  • valuation prejudicado em processos de venda, entrada de investidores ou captação de recursos.

Este último ponto merece atenção especial do proprietário.

Em processos de M&A (em inglês Mergers & Acquisitions, fusões e aquisições, são operações societárias estratégicas em que duas ou mais empresas combinam ativos, operações e recursos para aumentar seu tamanho, eficiência, competitividade ou valor de mercado. Envolve a aquisição ou união, fusão de empresas), na valoração ou negociação com fundos e investidores, o ativo imobilizado passa por análises técnicas detalhadas.


Quando o hotel não possui inventário atualizado, conciliação físico-contábil, critérios claros de depreciação e informações confiáveis sobre estado de conservação e vida útil, o risco percebido aumenta. Na prática, isso se traduz em:

  • pedidos de desconto no valor do negócio

  • retenção de parte do preço (com cláusulas de ajuste que condicionam, por exemplo, o pagamento de parte do valor de compra da empresa ao seu desempenho futuro)

  • exigência de garantias adicionais ou, em casos mais críticos

  • desistência da negociação.

Ou seja, mesmo que a operação seja saudável, a ausência de controle patrimonial faz o hotel parecer menos organizado, mais arriscado e menos previsível, fatores que impactam diretamente o valor atribuído ao negócio.

Controle patrimonial, nesse contexto, não protege apenas bens. Ele protege o valor da empresa.


Depreciação, valor e tomada de decisão

A depreciação reflete o consumo econômico do ativo ao longo do tempo e impacta diretamente o resultado, o fluxo de caixa e a base tributária.

As boas práticas incluem:

  • registro pelo custo completo de aquisição

  • definição correta da vida útil por tipo de ativo

  • avaliação do valor residual

  • testes de impairment quando aplicável (ou teste de deterioração, avaliação contábil para evitar que ativos fiquem super avaliados no Balanço Patrimonial, garantindo que o valor contábil não supere o valor justo, de venda ou o valor em uso)

  • revisão periódica conforme normas contábeis.

Um controle bem mantido aumenta a confiabilidade do valuation do hotel e reduz ajustes negativos em negociações.

🔖Dica da Boni: peça apoio à sua assessoria contábil.


Como realizar um levantamento patrimonial eficiente

1. Planejamento

Definição de escopo, cronograma, equipe e ferramentas. É a etapa que define o sucesso do levantamento.

Em hotéis, os ativos podem estar em constante movimentação. Por isso, cumprir rigorosamente o cronograma é fundamental.

Atrasos aumentam o risco de inconsistências, retrabalho e perda de rastreabilidade dos bens.

Um bom planejamento considera:

  • datas e horários alinhados com a operação, evitando períodos de pico e presença de hóspedes

  • comunicação prévia com as áreas envolvidas

  • definição clara de responsáveis por setor.


2. Identificação e etiquetagem

Códigos únicos, etiquetas adequadas ao ambiente e registro físico detalhado.

A identificação correta dos bens garante rastreabilidade e confiabilidade das informações. Além da etiquetagem física, nossa recomendação aqui na Boni é que você registre fotos dos ativos.

As fotos:

  • complementam o registro visual

  • ajudam na validação posterior

  • facilitam auditorias, revisões e conciliações futuras

  • reduzem dúvidas sobre estado, modelo ou localização do bem.


3. Conciliação físico‑contábil

Cruzamento entre inventário e contabilidade para correções.

Essa etapa revela grande parte das chamadas “perdas invisíveis”. Ao confrontar o que existe fisicamente com o que está registrado, surgem oportunidades importantes para:

  • corrigir inconsistências entre registros e realidade

  • incluir ativos que estavam em uso, mas não contabilizados

  • remover bens que já não existem fisicamente ou foram descartados.

Uma conciliação bem executada eleva imediatamente a qualidade da informação patrimonial.

🔖Dica da Boni: peça apoio à sua assessoria contábil.


4. Avaliação patrimonial

A avaliação define como cada ativo será valorado e a escolha do método deve considerar a natureza do bem e o objetivo da análise.

Os principais métodos utilizados são:

  • Método de mercado: indicado para bens com alta liquidez e com referências claras de preço no mercado. É comum para equipamentos padronizados e facilmente comparáveis.

  • Método de reposição: recomendado para ativos específicos, técnicos ou novos, considerando quanto custaria substituir aquele bem por outro equivalente nas condições atuais.

  • Método de custo (histórico): utilizado principalmente para fins contábeis, com base no valor de aquisição e na depreciação ao longo do tempo, conforme normas fiscais.

Selecionar corretamente o método evita distorções, melhora a leitura estratégica do patrimônio e dá mais consistência às análises financeiras e de investimento.

🔖Dica da Boni: peça apoio à sua assessoria contábil.


5. Registro e atualização contínua

O controle patrimonial pode ser realizado por meio de uma planilha de Excel bem estruturada ou de um sistema integrado ao ERP do seu hotel.

Mais importante do que a ferramenta escolhida é a disciplina na atualização das informações.

Manter o registro patrimonial atualizado significa reconhecer o patrimônio como um ativo estratégico do negócio, e não apenas como uma exigência administrativa ou contábil.


6. Capacitação da equipe

A capacitação da equipe envolvida no controle patrimonial traz ganhos diretos em qualidade, padronização e confiabilidade da informação.

Entre os principais benefícios do treinamento estão:

  • uso de um mesmo critério por todos os envolvidos

  • padronização de processos e registros

  • aumento da acuracidade das informações

  • redução de erros decorrentes de interpretações individuais.

Quando todos seguem a mesma cartilha, o controle patrimonial deixa de depender de pessoas específicas e passa a fazer parte da cultura organizacional do hotel.


7. Frequência

Revisões periódicas para manter a confiabilidade das informações.

A frequência do levantamento patrimonial deve considerar o porte do seu hotel, a complexidade da sua operação e o ritmo de mudanças dos ativos.

Mas saiba que as revisões periódicas permitem capturar movimentações, substituições e descartes ao longo do tempo, mantendo a base patrimonial sempre alinhada à realidade operacional.


Controle patrimonial como pilar de maturidade operacional

Um ativo não monitorado tende a ser mal utilizado ou esquecido mas, quando bem gerido, o controle patrimonial:

  • melhora a eficiência operacional

  • reduz perdas e desperdícios

  • apoia decisões estratégicas

  • fortalece a governança

  • prepara o hotel para crescer com segurança.


Controle patrimonial não é sobre saber o que o hotel tem. É sobre saber como, quando e por que cada ativo gera valor. Não é burocracia. É gestão. Pense nisso!






Na Boni Learning a prática se transforma em curso

Sobre a Boni

A Boni Learning é uma escola de cursos livres online preparada para oferecer o melhor conteúdo num método prático e acessível a todos.

KF Educação e Desenvolvimento Profissional Ltda 55.700.054/0001-51

Fale com a gente

No Whats (msg texto ou áudio)
            (11) 98945 4516

Links rápidos

Por e-mail
contato@bonilearning.com.br

As novidades

Saiba o que acontece na Boni em primeira mão!

Email enviado!

A Boni nas mídias

https://www.instagram.com/bonilearning/
https://www.linkedin.com/company/bonilearning/?viewAsMember=true&success=true

© 2035 por WeDo. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page