top of page

O que muda no seu A&B com a Reforma Tributária (IVA Dual)

  • 18 de fev.
  • 8 min de leitura
O que muda no seu A&B com a Reforma Tributária (IVA Dual)

Se você já leu o post anterior explicando o que é o IVA e como ele muda nosso modelo tributário, este post vai além. Ele mostra o que, de fato, precisa ser ajustado no seu PDV de A&B, especialmente no que toca estoque e sistema de gestão.

Aqui, a complexidade fiscal encontra a operação cotidiana da gastronomia, mas a boa notícia é que, com organização e foco, é possível transformar essa transição em vantagem competitiva.


A essência continua: IVA Dual aplicado à Gastronomia

Como você viu no post principal, estamos adotando o chamado IVA Dual:

  • CBS (substitui PIS/Cofins) -> federal

  • IBS (substitui ICMS/ISS) -> estadual e municipal.


Para bares e restaurantes, existe um regime específico com alíquotas reduzidas com menor carga tributária para alimentação preparada no local.

Mas atenção: essa redução só vale para itens corretamente classificados no seu sistema fiscal.

E aqui começa o ponto que muitos negócios ainda não internalizaram: não basta saber o conceito de IVA, é preciso traduzir isso para dados, códigos e processos.


O que realmente muda na prática para A&B

Classificação correta dos itens é o ponto de partida.

A base do novo regime fiscal é o classificador tributário, especialmente o cClassTrib (Código de Classificação Tributária). Diferentemente de regimes anteriores, não é mais apenas o CFOP ou NCM que determinam os tributos.

 

O cClassTrib:

  • identifica cada produto/serviço conforme sua natureza tributária no IVA

  • determina se o item tem direito a crédito

  • determina se o item entra no regime específico de alimentação ou no regime geral.

👉 Erro nesse código = erro de tributação = perda de crédito = risco de multa.

Por isso, uma das primeiras providências é: revisar todos os itens do estoque no ERP/PDV com foco no cClassTrib.

Isso inclui:

  • produtos do estoque físico (matérias-primas) no almoxarifado

  • insumos indiretos (embalagens, descartáveis, uniformes etc.)

  • produtos finais (pratos dos cardápios, bebidas, combos)

  • serviços e taxas (delivery, serviço de mesa, couvert etc.).

 

O papel do PDV e do ERP: integração é palavra de ordem

A reforma torna o sistema o centro da operação tributária. PDV, ERP, estoque e fiscal devem funcionar como um só sistema.


Por que isso importa? Porque é no momento da venda que:

  • o item é classificado

  • o regime é identificado (específico ou geral)

  • o IBS e a CBS são destacados

  • o Imposto Seletivo pode ser aplicado

  • a base de cálculo é determinada

  • divergências entre PDV e ERP geram erros de classificação.

Isso significa que não dá para ter “ilhas de dados” entre estoque, compras, PDV e retorno fiscal.

  🔍 Sincronização de tabelas fiscais (NCM, CST, cClassTrib) entre PDV e ERP é tão importante quanto o cardápio propriamente dito.


Obrigatoriedade de testes em 2026

Em 2026 não há cobrança cheia de IVA, mas:

  • as notas fiscais já precisam sair com IBS/CBS

  • os sistemas precisam emitir de forma correta e rastreável

  • você deve estar apto a gerar relatórios e demonstrar conformidade.


Durante esse período, você terá que rodar dois modelos tributários ao mesmo tempo:

  • o modelo antigo (ICMS, ISS, PIS, Cofins)

  • o novo modelo (IBS, CBS).

 

Isso coloca ainda mais pressão sobre controle de estoque, rotinas fiscais e integração de sistemas.


Crédito tributário: bom para margem, desde que bem controlado

No IVA Dual, praticamente tudo que entra no negócio pode gerar crédito tributário, desde que:

  • venha com nota fiscal correta

  • esteja classificado corretamente no sistema

  • faça sentido para o tipo de operação.

 

Para gastronomia, isso significa crédito sobre:

  • hortifruti e perecíveis

  • carnes, laticínios, pães

  • insumos indiretos (guardanapos, guardanapos, canudos, etc.)

  • serviços de manutenção

  • utilities (água, luz, gás)

  • softwares de gestão e licenças.

Mas atenção! Para gerar crédito, a base legal exige correspondência entre o que você compra e o que você vende. Ou seja, a equipe fiscal precisa auditar mensalmente o estoque, os insumos e as notas de compra.


Regime específico para alimentação x bebidas alcoólicas

Entendemos que as questões mais relevantes para gastronomia são:

Alimentos preparados no local

Entram no regime específico com alíquota reduzida.

 

Bebidas alcoólicas

Não entram no regime específico.Elas estão sujeitas ao Imposto Seletivo, criado para itens considerados prejudiciais à saúde.

Isso tem consequências diretas:

  • bebidas alcoólicas terão custo tributário superior

  • exigirão classificação fiscal distinta

  • potencialmente exigem planejamento de precificação separado.

 

Em muitos restaurantes, bebidas respondem por boa parte da margem e isso exige simulação de preços para absorver o impacto tributário e também, manter a competitividade.


Delivery, marketplaces e tributação no destino

Com o IVA Dual, o imposto é cobrado no destino, ou seja, onde a mercadoria/serviço é consumida. Para quem também tem delivery isso traz desafios:

  • marketplaces e plataformas de entrega devem operar com regras de IVA

  • o PDV precisa distinguir venda presencial x delivery

  • a integração fiscal dos marketplace deve replicar corretamente os tributos, e

  • o split de pagamento e conciliadores precisam refletir os IBS/CBS.

 

Isso obriga:

  • revisão de contratos com as plataformas (IFood, Rappi, Keeta, etc)

  • parametrização fiscal no PDV/ERP

  • conciliação diária de impostos.


🎯 Delivery não é mais função periférica. Ele se torna um vetor fiscal.


Split Payment: o imposto já sai na venda

A partir de 2027, o IVA será cobrado no momento da transação, chamado de Split Payment, o pagamento dividido.


Na prática, isso significa que, quando o cliente pagar uma conta no cartão, Pix ou por meio de uma plataforma digital, o sistema fará automaticamente a separação do valor:

  • uma parte será direcionada ao restaurante

  • parte da venda já vai diretamente para ao governo para quitação do IBS e da CBS daquela operação

  • seu fluxo de caixa recebe limpo

  • sua gestão de caixa precisa prever menos sobra no fim do mês.


Hoje, o fluxo funciona assim: o cliente paga -> 100% do valor entra no caixa -> o restaurante recolhe os tributos depois, conforme apuração mensal.

Com o Split Payment, o imposto deixa de ser pago “no fechamento” e passa a ser recolhido na origem da transação.


O que isso significa para o planejamento financeiro?

Não se trata de aumento automático de carga tributária, mas sim de uma mudança na dinâmica do fluxo de caixa.

Veja alguns impactos na prática:

  • menor risco de inadimplência fiscal

  • redução de acúmulo de passivos tributários

  • necessidade de maior previsibilidade financeira

  • menos margem para utilizar temporariamente o caixa que seria destinado a tributos.

Se você opera com capital de giro mais ajustado, essa mudança vai exigir revisão do planejamento financeiro, acompanhamento mais frequente de fluxo de caixa e integração total entre sistema de vendas e relatórios financeiros. Para planejamento financeiro, isso é disruptivo.


Ainda há regulamentações pendentes sobre como o Split Payment será aplicado às empresas optantes pelo Simples. 

O que se sabe é que haverá tratamento diferenciado, mas nem todas as operações estarão automaticamente fora do modelo.

Ou seja, acompanhar regulamentações será essencial pois o Split Payment é um novo desenho de arrecadação que exige maturidade de gestão.


>> Para não deixar essa discussão apenas no campo teórico, estruturamos um checklist com os principais ajustes que precisam ser iniciados ainda em 2026. <<

>> Baixe o checklist completo e organize a transição do seu PDV com segurança. <<

Gorjetas, um risco invisível

A Reforma Tributária trouxe um ponto importante em A&B; a exclusão das gorjetas da base de cálculo do IBS e da CBS, desde que algumas condições sejam respeitadas.


Quando a gorjeta não é tributada? A gorjeta pode ficar fora da base de cálculo do IVA (IBS + CBS) quando:

  • for repassada integralmente aos funcionários

  • houver apenas retenções legais (INSS, encargos trabalhistas etc.)

  • não ultrapassar 15% do valor da conta

  • houver política formal de distribuição e comprovação documental.


Nessas condições, a gorjeta deixa de ser considerada receita própria do restaurante e passa a ser tratada corretamente como valor destinado à equipe.Isso reduz a carga tributária e elimina distorções comuns no modelo anterior.

⚠️ Dica da Boni! Se as gorjetas forem homologadas no sindicado da categoria, vale uma consulta formal sobre os ajustes necessários em conjunto.


O PDV precisará:

  • destacar a gorjeta separadamente da venda de alimentos e bebidas

  • identificar corretamente a natureza da operação

  • garantir que o valor não componha a base de cálculo do IBS/CBS quando elegível.


⛓️‍💥Erro de parametrização pode gerar tributação indevida ou inconsistência fiscal.


Erros comuns que você precisa evitar

✔ Não auditar as notas de compra mensalmente = perda de  crédito

✔ Manter o cadastro desatualizado e inconsistente = gera erro fiscal

✔ Ignorar a diferença de regime entre alimentos e bebidas alcoólicas

✔ Deixar a integração PDV/ERP pela metade

✔ Não revisar os contratos de delivery e marketplaces

✔ Postergar o treinamento da equipe

✔ Confiar em defaults dos sistemas sem validação humana.


Conclusão: a gastronomia precisa pensar além da operação do dia a dia

A Reforma Tributária com IVA Dual é muito mais do que “mudar um código aqui e ali”. Ela muda a lógica do negócio. E um dos pontos mais subestimados dessa mudança é este:


Estoque deixa de ser apenas controle operacional. Ele passa a ser ativo fiscal.

Mas por quê? Por que o estoque vira ativo fiscal?

No modelo anterior, o estoque era essencialmente:

  • controle de custo

  • base para ficha técnica

  • indicador de desperdício

  • apoio à precificação

Com o IVA Dual e a não cumulatividade plena, o estoque passa a representar algo a mais: potencial de crédito tributário.


Cada insumo comprado com nota fiscal correta pode gerar crédito de IBS e CBS.Isso significa que:

  • a qualidade da classificação fiscal na entrada impacta diretamente o imposto a pagar

  • o cadastro correto do item no ERP define se o crédito será reconhecido

  • a correspondência entre compra e venda valida a legitimidade do crédito.


Se o estoque está mal parametrizado, você pode:

  • perder créditos legítimos

  • pagar mais imposto do que deveria

  • ter inconsistências na apuração assistida

  • sofrer questionamentos fiscais.


Estoque mal gerido = risco tributário

Imagine três situações comuns na gastronomia:

1️⃣ Cadastro genérico de insumos: um mesmo NCM usado para itens diferentes, sem distinção adequada no sistema.Resultado: crédito calculado errado ou glosado.

2️⃣ Ficha técnica desatualizada: você vende um prato com cinco insumos, mas só três estão corretamente vinculados ao estoque fiscal.Resultado: desconexão entre o que gera crédito e o que gera receita.

3️⃣ Compra sem validação fiscal: fornecedor emite nota com classificação incorreta.Você não audita.Resultado: o crédito não é aproveitado, ou pior, é questionado depois.

Em todos esses casos, o impacto não está apenas na operação. Está no caixa.


Margem agora é técnica, não apenas comercial

No novo cenário, margem não é só = Preço de venda – custo do insumo

Ela passa a incluir:

  • impacto do crédito fiscal

  • tratamento tributário da categoria

  • incidência de Imposto Seletivo (no caso de bebidas alcoólicas)

  • regime específico ou geral.

Ou seja, o mesmo prato pode ter margens diferentes dependendo da classificação fiscal dos insumos utilizados.Isso exige integração real entre compras -> estoque -> fiscal -> financeiro -> gestão


✔ PDV e ERP deixam de ser sistemas operacionais e se tornam motores tributários

Durante anos, muitos restaurantes trataram o PDV como ferramenta de venda e o ERP como ferramenta administrativa. Com o IVA Dual, essa lógica muda. O PDV passa a ser o ponto de origem da tributação.


📌Se o cadastro do item estiver incorreto no PDV, o erro já nasce na origem.


E, diferente do modelo antigo, em que parte das correções era feita “no fechamento contábil”, o novo modelo é muito mais automatizado e integrado. Ou seja: erro sistêmico vira erro fiscal imediato.


✔ O ERP, por sua vez, deixa de ser apenas controle de estoque e financeiro. Ele passa a:

  • consolidar créditos

  • validar a correspondência entre compras e vendas

  • alimentar a apuração assistida

  • gerar rastreabilidade para fiscalização.

Se PDV e ERP não estiverem alinhados o crédito pode não ser reconhecido, a apuração pode apresentar inconsistência e o você ainda pode pagar imposto maior do que o necessário.

No novo cenário, tecnologia não é suporte. É infraestrutura tributária.


✔ Processos deixam de ser burocracia e se tornam vantagem competitiva

A Reforma Tributária expõe algo que muitos negócios preferem ignorar: processos frágeis custam dinheiro.

Quando falamos de processos, estamos falando de:

  • rotina de conferência de notas fiscais

  • validação de classificação tributária na entrada

  • atualização de cadastro de itens

  • integração entre compras e fiscal

  • revisão periódica de ficha técnica

  • auditoria de créditos.


A Reforma Tributária não aumenta automaticamente a eficiência. Ela premia quem já é organizado e penaliza quem improvisa.

Se no post anterior explicamos “o que é IVA”, neste mostramos o que você precisa fazer hoje, na prática!


A boa notícia é que quem se preparar agora:

✔ evita multas e autuações

✔ aproveita créditos que historicamente eram desperdiçados

✔ melhora margem líquida

✔ impulsiona a operação com tecnologia e dados.


A má notícia é que a procrastinação vai custar, e caro.




 

Na Boni Learning a prática se transforma em curso

Sobre a Boni

A Boni Learning é uma escola de cursos livres online preparada para oferecer o melhor conteúdo num método prático e acessível a todos.

KF Educação e Desenvolvimento Profissional Ltda 55.700.054/0001-51

Fale com a gente

No Whats (msg texto ou áudio)
            (11) 98945 4516

Links rápidos

Por e-mail
contato@bonilearning.com.br

As novidades

Saiba o que acontece na Boni em primeira mão!

Email enviado!

A Boni nas mídias

https://www.instagram.com/bonilearning/
https://www.linkedin.com/company/bonilearning/?viewAsMember=true&success=true

© 2035 por WeDo. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page