Reforma Tributária: onde estamos agora e como se preparar para os próximos passos
- 26 de mar.
- 5 min de leitura

Temos observado aqui na Boni que o processo da Reforma Tributária tem gerado dúvidas de todo tipo, especialmente, sobre como será a emissão de notas fiscais (de produtos e serviços) e como os sistemas precisarão se adaptar ao novo modelo.
Essa é uma preocupação legítima. Afinal, diferente de outras mudanças fiscais, essa reforma não impacta apenas o cálculo de impostos. Ela impacta diretamente sistemas, processos e a operação do dia a dia.
Por isso, queremos reforçar: a Boni está totalmente preparada, junto aos seus parceiros, para essa transição e seguirá ao seu lado em cada etapa.
Relembrando: o que muda na estrutura tributária
A Reforma Tributária tem como objetivo tornar o sistema mais simples, transparente e sobretudo, eficiente.
Na prática, ela reorganiza os tributos sobre consumo, substituindo:
ICMS, ISS, PIS, Cofins e parte do IPI por um modelo de IVA Dual, composto por:
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – administrado por estados e municípios
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – administrada pela União
Cronograma da Reforma Tributária: visão prática
⚠️ Importante: as datas e regras podem evoluir conforme regulamentações complementares.
Mas já é possível trabalhar com um cronograma bastante consistente:
📅 2023–2025 | Fundamentos e regulamentação
O que aconteceu:
Aprovação da Reforma Tributária
Definição do modelo de IVA Dual (IBS + CBS)
Publicação da Lei Complementar nº 214/2025
Início da preparação dos sistemas fiscais
Na prática para o mercado:→ Entendimento das regras→ Primeiros ajustes em ERPs e sistemas fiscais
📅 2026 | Ano de testes obrigatórios
O que muda:
IBS e CBS passam a aparecer nas notas fiscais
Alíquotas simbólicas:
IBS: 0,1%
CBS: 0,9%
Convivência com o sistema antigo
Na prática:→ Ajuste de sistemas (PDV, ERP)→ Revisão de cadastros fiscais→ Testes operacionais
💡 Este é o ano mais importante para preparação.
📅 2027 | Início da implementação real
O que entra em vigor:
Fim de PIS e Cofins
Início efetivo da CBS
Entrada do Imposto Seletivo
Avanço do Split Payment
Na prática:→ Impacto direto em preços e margens→ Mudança no fluxo de caixa
📅 2029–2032 | Transição gradual
O que acontece:
Redução progressiva de ICMS e ISS
Aumento gradual de IBS e CBS
Na prática:→ Ajustes contínuos→ Consolidação dos novos processos
📅 2033 | Novo sistema completo
Cenário final:
Extinção dos tributos antigos
Sistema baseado integralmente em IVA
Na prática:→ Mais previsibilidade→ Menos complexidade estrutural
O que já está acontecendo na prática?
Mesmo antes da implementação total, o mercado já começou a se movimentar.
Hoje já vemos:
✔ sistemas sendo atualizados para suportar IBS/CBS
✔ inclusão de novos campos fiscais em documentos eletrônicos
✔ preparação para novos códigos como o cClassTrib
✔ testes de integração entre ERP, PDV e módulos fiscais
✔ maior rigor na validação de cadastros
Ou seja: a reforma já começou, mesmo que de forma silenciosa.
O que já aparece (ou vai aparecer) nas notas fiscais?
Durante a fase de testes (2026), os documentos fiscais passam a:
destacar IBS e CBS separadamente
manter, ao mesmo tempo, os tributos atuais
exigir maior precisão na classificação dos itens
refletir novos códigos fiscais (como o cClassTrib).
👉 Importante: a Nota Fiscal eletrônica (NF-e/NFC-e) é o documento oficial. O DANFE é apenas a representação gráfica.
O compromisso que o seu parceiro de ERP deve ter com você
Durante todo o período de transição, especialmente em 2026, o papel do parceiro de tecnologia se torna ainda mais crítico.
Seu ERP precisará lhe oferecer:
✔ atualizações automáticas e contínuas
✔ conformidade com as normas fiscais dos documentos eletrônicos (DF-e)
✔ adaptação às mudanças regulatórias em tempo real
✔ suporte técnico especializado
✔ integração com módulos de estoque, vendas e fiscal
Mais do que um sistema, você precisa de um parceiro que acompanhe a evolução da legislação.
Fique atento, este é um ponto crítico e de alto impacto para seu negócio.
Conclusão: não é sobre esperar, é sobre se preparar
A Reforma Tributária não acontece de uma vez. Ela acontece em etapas. E isso é uma vantagem.
O ano de 2026, especialmente, deve ser visto como um laboratório estratégico:
para ajustar sistemas
corrigir cadastros
testar processos
treinar equipes
Quem começar agora chega preparado.
Quem esperar a obrigatoriedade… vai reagir sob pressão.
💡2026 não é o ano da cobrança. É o ano da preparação.
Então por onde começar?
Se 2026 é o ano de testes, a pergunta não é “o que vai acontecer?”, mas sim: o que eu já deveria estar fazendo agora?
A boa notícia é que você não precisa mudar tudo de uma vez. Mas precisa começar pelas bases certas.
1. Comece pelo cadastro, não pelo imposto
Antes de falar de alíquota, fale de classificação.
Revise:
NCM dos produtos
classificação fiscal
separação entre alimentos, bebidas alcoólicas e itens revendidos
coerência entre cadastro de estoque e itens do cardápio
👉 Sem cadastro correto, não existe apuração correta.
2. Alinhe PDV e ERP (de verdade)
Não basta ter sistema. Eles precisam “conversar”.
Garanta que:
o PDV está preparado para destacar IBS e CBS
o ERP reconhece corretamente os dados da venda
estoque, compras e fiscal estão integrados
não existem cadastros duplicados ou divergentes
👉 O erro fiscal começa no sistema — não no contador.
3. Estruture a conferência de notas de compra
Se o modelo agora é baseado em crédito, a compra virou peça-chave.
Implemente um checklist simples:
fornecedor correto
NCM e classificação consistentes
destaque de tributos
base de crédito válida
👉 Compra mal feita = crédito perdido.
4. Organize seu estoque como base fiscal
Seu estoque precisa responder:
o que foi comprado
o que foi vendido
como isso se conecta
Revise:
fichas técnicas
consumo real vs. teórico
vínculo entre insumo e produto final
👉 Sem isso, o crédito não se sustenta.
5. Comece a simular preços (mesmo antes da cobrança)
Mesmo com alíquotas simbólicas em 2026, o impacto virá.
Simule:
margem por categoria
impacto em bebidas alcoólicas (Imposto Seletivo)
diferença entre produzir e revender itens
👉 Quem espera 2027 para ajustar preço já estará atrasado.
6. Revise seu modelo de gorjeta
Garanta que:
há política formal
existe rastreabilidade
o valor está corretamente separado no sistema
👉 Pequenos erros aqui podem virar tributação indevida.
7. Traga o contador para a estratégia
O papel muda. Não é mais só apurar imposto.
E sim, sobre:
simular cenários
apoiar decisões de mix
validar estrutura fiscal
👉 Contabilidade passa a ser área estratégica.
8. Treine sua equipe (especialmente compras e operação)
A reforma não acontece só no financeiro.
Ela passa por:
quem compra
quem cadastra
quem lança
quem vende
👉 Um erro operacional pode virar erro fiscal.
Boas práticas que já estão surgindo no mercado
A experiência inicial já mostra um padrão claro entre empresas mais preparadas:
✔ Revisão completa de cadastro de itens
✔ Integração real entre áreas
✔ Auditoria de notas fiscais de compra
✔ Atualização e testes contínuos de sistemas
✔ Simulação de impacto financeiro
Em resumo, se você fizer apenas três coisas em 2026, comece por aqui:
✔ organize seu cadastro
✔ integre seus sistemas
✔ revise suas compras
Isso já coloca seu negócio à frente da maioria.
💡E o mais importante: 2026 não é o ano de perfeição. É o ano de aprendizado.
Quem testar, ajustar e aprender agora vai operar com muito mais segurança quando o impacto financeiro chegar.

Dica da Boni!
Não subestime a importância das fichas técnicas atualizadas neste momento.
Faça simulações! E se quiser saber mais, fale com a gente!


